O Bordado da Terra de Sousa começou, naturalmente, por se fazer em tecidos considerados da mais alta qualidade, como é o caso do linho. Depois, também se começou a fazer noutros suportes têxteis, como panos em que o linho e o algodão se combinavam em diversas proporções.

Os tecidos actualmente utilizados são escolhidos em função do seu uso final. Assim, na execução de roupa de cama, como lençóis, a escolha recai quase inteiramente sobre o algodão. Não quer dizer que não se possam fazer lençóis de linho – que se fazem – mas aqueles tornam--se não só mais acessíveis no preço como, sobretudo, mais fáceis de manter, nomeadamente quando se trata de os passar a ferro, além de que o linho, com toda a sua extraordinária capacidade de absorção torna-se tão agradável no Verão, quanto desconfortável no Inverno.

Uma solução intermédia consiste na utilização de tecido de linho e algodão para a roupa de cama. Todavia todas as outras peças, que constituem o suporte da maior parte da produção de Bordado de Terra de Sousa, são feitas em linho. Tradicionalmente, é a Fábrica SAMPEDRO que constitui o grande fornecedor do linho, sobretudo aquele que é disponibilizado nas referências 4460 e 20 (este constitui um linho em que, num quadrado, o número dos fios da trama é igual aos da teia). Para o caso do algodão, a SAMPEDRO também é procurada, mas há quem lhe prefira a Companhia de Fiação de Torres Novas e, sobretudo, a do Lameirinho. Esta última fábrica é mesmo a mais citada, até porque apresenta maior variedade de misturas de algodão e linho. Evidentemente que outras fábricas são mencionadas quando se procura caracterizar os tecidos de suporte, como por exemplo a LIBECO, que além de linho vende cambraia, ou a A. M. Rua que fornece organdi.

Enquanto o linho é usado em todo o tipo de roupa de mesa, cortinas e cortinados, os tecidos mais finos, como a cambraia ou o organdi, têm uma utilização muito mais residual. O primeiro destina-se a roupa de cama de bebé, que quase deixou de se fazer, e o organdi aparece em trabalhos de bordado de aplicação, como matéria-prima do que, localmente, se chama embutidos.

Num momento em que se trabalha, consistentemente, na valorização e na identificação deste bordado faz sentido questionar o tipo de tecido que deve ser utilizado, para que se não continue a dizer “vai-se o pano, fica o bordado”. Com efeito, considerando a multiplicidade de pontos da gramática técnica das bordadeiras, dever-se-ia investir na questão do tecido de um modo mais profissional e informado. Senão, repare-se: quando o bordado se executa numa toalha de mesa que vai ter, necessariamente, um bordado mais plano, eventualmente com mais bainhas abertas, ou crivos, deve-se utilizar um tecido onde os fios “corram” melhor, no sentido de facilitar o trabalho da bordadeira. Todavia, este tecido precisa de ter, simultaneamente, resistência  às lavagens. Por outro lado, um bordado onde predominem os chamados pontos reais, todos de grande relevo e complexidade, necessita de um tecido com uma especial resistência ao calor, pois se torna mais difícil de brunir. Há casos em que o apuro do desenho e consequente bordado exigem telas em que os fios da trama e da teia se distribuam de igual modo. É no entendimento de todos estes factores que se deverá trabalhar na definição de telas adequadas às várias finalidades. Para um produto, cada vez mais luxuoso, devido à mão de obra especializada que incorpora - para não falar da excelência da sua qualidade ou da riqueza dos pontos que ostenta - a decisão do tecido a escolher não deve ser empiricamente informada, ao sabor da capacidade de persuasão dos representantes das fábricas ou baseada no hábito ou tradição, tal como actualmente se verifica.

O Bordado de Terra de Sousa apresenta-se, na maior parte das vezes, bordado a branco sobre branco porque, na altura em que se definiu, nem se imaginava que pudesse ser de outro modo. Todavia, este bordado, ao longo do tempo, incorporou todas as cores que estiveram na moda, sobretudo nos jogos de cama e toalhas de mesa. Contudo, o discurso sobre o valor patrimonial de elementos da cultura tradicional, desenvolvido e aprofundado ao longo dos últimos vinte anos, veio a originar um movimento de intenso revivalismo que, genericamente, veio trazer uma acrescida qualificação ao Bordado da Terra de Sousa. Com efeito, para além do regresso ao uso do linho, verificou-se o retorno a desenhos mais elaborados e bordados de modo mais exigente, com maior variedade de pontos, tornando ainda dominante o uso da paleta do bege, desde o branco e o pérola ao cru e cor de estopa.

A cor das linhas tem seguido esta moda e, nos nossos dias, borda-se sobretudo em branco ou pérola. Quer isto dizer que não existem quaisquer constrangimentos relativamente ao uso de outras cores, quer no tecido base, quer nas linhas do bordado, apesar da imagem actual, apoiada numa estética de carácter nostálgico e revivalista, privilegiar a paleta dos brancos e beges.

No que respeita às linhas há a considerar, para além da cor, outras características como o número de fios, a espessura ou a torção de cada um. Existem dois fornecedores a que todos recorrem: a COATS & CLARK e a D.M.C., correspondentes a duas grandes empresas centenárias.
A linha mais comummente usada talvez seja a “linha de um só fio”, na cor branca, correspondente, na COATS & CLARK à referência 4386 – nas espessuras nº16, a mais grossa, nº20, nº25, e na DMC à 107, nos números 16, 20, 25 e 30.

A linha “mouliné”, constituída por seis fios, é utilizada quer na cor branca, quer noutras, correspondendo-lhe na COATS & CLARK e a referência 4635 e na DMC a 117. Quando se pretende bordar a fio de linho a referência é a 4310 na COATS & CLARK, utilizada nos números 10 e 20. Para bordar a “seda”, na realidade viscose, seda artificial produzida a partir de celulose, quer a branco quer a cores, a referência é 4130, na COATS & CLARK, que na DMC equivale à referência 1008, mas neste caso a composição da linha é 100“rayon”.

A DMC disponibiliza fio metálico em dourado e prateado, com as referência 282 e 283, respectivamente, que suporta bem ser lavado e ser passado a ferro.

Já a referência 4445 traduz, na COATS & CLARK, a linha com o seu famoso brilho de pérola também conhecida por “perlé”, utilizada nas espessuras nº 4, nº6 e nº 12 enquanto na DMC aparece com a referência 116, utilizada nas espessuras números 5, 8 e 12.