As bordadeiras que fazem do Bordado de Terra de Sousa a maravilha que é, aprenderam a bordar bastante novas: entre os dez e os quinze anos foram quase 59%! E com menos de dez anos, 25,6%. Não surpreende, deste modo, que 72.5% do total tenha aprendido com alguém da sua própria família. O carácter doméstico e privado desta ocupação reforça-se ainda quando se sabe que outros 20% aprenderam com uma vizinha. Cruzando uma informação com outra percebe-se que, ainda na actualidade, só quem se iniciou no bordado depois dos 20 anos o fez segundo outras condicionantes, em que a família nem interveio nem foi decisiva. Todavia, já atinge 11% do universo das bordadeiras inquiridas aquelas que referem a frequência de uma acção de formação, ou seja, que reconhecem a vantagem de aperfeiçoarem os seus conhecimentos.

O início do bordar como actividade profissional fez-se para uma clara maioria (58,9%) entre os 10 e os 15 anos e, como é evidente, a bordar desde tão novas, compreende-se que quase 70% (65,8%) das actuais bordadeiras não tenha ultrapassado os quatro anos de escolaridade.

Há pouco mais de trinta anos considerava-se o exame da 4ª classe, como a passagem para uma precoce vida de trabalho e eram muitos e muitas, aqueles que, por uma total falta de condições sociais, não podiam progredir. Na altura já se considerava um grande progresso a frequência da escola que ainda na geração anterior deixava tantos de fora. No caso das bordadeiras o analfabetismo ainda atinge 7,5% do total.

Só uma pequena percentagem de bordadeiras - 12,7% - é capaz de riscar o seu bordado. De facto, a organização da actividade leva a que 85, 9% trabalhe por conta doutrem pelo que a regra é o tecido, cortado e riscado, chegar à bordadeira que só tem que o bordar com linhas entregues também pela empresa para quem trabalha.

Caracterizar as bordadeiras da Terra de Sousa através de elementos trabalhados estatisticamente, se traz consigo um acréscimo de rigor, exclui a possibilidade de transpor e dar a conhecer a realidade plural deste grupo de mulheres. E não há estatística possível que permita mencionar a sua generalizada simpatia e afabilidade ou que traduza a generosidade do seu sorriso.

O duro ofício de bordar submete estas mulheres a uma posição necessariamente contida onde só as suas mãos se afadigam na criação de insuperável beleza. Mas, no silêncio em que bordam, ritmado pelo pulsar dos seus corações, todos os seus sonhos se agigantam, voam e ganham asas.